Impact of Bolsonaro's Presidency on LGBTQ+ Families
En 2018, cuando Bolsonaro
ganó las elecciones,
mi hija y su novia estaban en el portón de nuestra casa,
conversando de la mano,
y un coche se detuvo frente a ellas
con cuatro hombres dentro
que dijeron lo siguiente:
«Miren, estamos
pasando siempre por aquí.
Si pasamos por aquí y vemos esta
indecencia
otra vez, las metemos en el coche y no
volverán a aparecer nunca más».
Miren, no sé cómo lograron subir los
pisos del edificio
para llegar a casa. Lo que sé y lo que puedo decir
como madre es que jamás
en mi vida pensé que
llegaría a
identificar una desesperación tan
grande en la mirada de mi hija y de
mi nuera.
Simplemente no pude consolarlas,
no había nada que decir,
tal era su desesperación. La semana siguiente, estaban
cruzando la calle y se soltaron las manos
para que un individuo pasara entre
ellas. Y ese individuo dijo lo siguiente:
«Yo
tenía que haberles cortado las manos».
Bueno,
la verdad es que pasaron los cuatro
años del gobierno de Bolsonaro
y ellas lograron pasar
esos cuatro años con
prejuicios, miedo, aprensión, pero salieron adelante,
siguieron estudiando,
trabajando, viviendo sus vidas.
Y recuerdo que en las últimas elecciones,
cuando Lula ganó, nunca sentí una
felicidad tan grande. Ni siquiera esperaba estar tan
feliz. Pero, en realidad,
no se trataba de Lula, no se trataba de la
izquierda, no se trataba del
PT.
La verdad es que logré, de nuevo,
ver en mis hijas una expresión tranquila,
un alivio. El alivio que demostraron con la
La victoria de Lula,
no sé cómo describírsela a ustedes.
Y ahora, después de ocho años,
¿no?, que pasamos por esta
situación, la semana pasada,
eh…, me encontré
con una persona y, hablando sobre,
¿no?, quién será, quién no será,
me dijo lo siguiente: «Ah, ¿sabes qué?
Me da igual.
No importa quién gane,
porque mi vida no cambiará en nada».
Sí, la vida de
este individuo no cambiará en
nada.
Pero no se trata de mí,
ni de este individuo.
Se trata de mis hijas, se trata de
tantas otras hijas, tantos otros hijos.
Hoy, las dos están muy bien casadas, se
mantienen solas, son felices, son excelentes
psicólogas, son personas maravillosas,
con un corazón que no les cabe en el pecho.
Así que es por ellas y tantas otras
hijas e hijos a quienes les
pido un poco de conciencia y un
poco de empatía a la hora de volver a las
urnas o a la hora de decidir
levantarse para ir a las
urnas.
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Original transcript (Portuguese)
Em 2018, quando o Bolsonaro venceu as eleições, a minha filha e a namorada dela tavam no portão da nossa casa, de mãos dadas conversando, e um carro parou na frente delas
com quatro homens dentro que falaram o seguinte: "Olha só, a gente tá sempre passando por aqui. Se a gente passar por aqui e ver essa
pouca vergonha de novo, a gente coloca vocês no carro e vocês não aparecem nunca mais". Olha, eu não sei como elas conseguiram subir os andares do prédio
pra chegarem em casa. O que eu sei e o que eu posso falar como mãe, é que eu nunca na minha vida achei que eu fosse identificar um desespero tão
grande no olhar da minha filha e da minha nora. Eu simplesmente não tive como consolá-las, não havia o que falar, tamanho era o desespero delas. Na semana seguinte, elas tavam
atravessando a rua e soltaram as mãos prum indivíduo passar entre elas. E esse indivíduo falou o seguinte: "Eu tinha era que cortar a mão de vocês fora".
Bom, verdade é que os quatro anos do governo Bolsonaro se passaram e elas conseguiram passar por esses quatro anos, com
preconceito, com receio, apreensivas, mas passaram, continuaram estudando, trabalhando, vivendo a vida delas. E eu lembro que nas últimas eleições, quando o Lula ganhou, eu nunca senti uma
felicidade tão grande. Nem eu esperava que fosse ficar tão feliz. Mas, na verdade, não foi sobre o Lula, não foi sobre a esquerda, não foi sobre PT.
A verdade foi, é que eu consegui, de novo, perceber nas minhas filhas um semblante tranquilo, um alívio. O que elas demonstraram de alívio com a vitória do Lula, eu não tenho como descrever pra vocês.
E agora, depois de oito anos, né, que a gente passou por essa situação, na semana passada, ééé, eu me deparei com uma pessoa e a gente falando
sobre, né, quem vai ser, quem não vai ser, falou pra mim o seguinte: "Ah, quer saber? Pra mim tanto faz. Não importa quem vai ganhar, que a minha vida não vai mudar em nada".
Sim, a vida desse indivíduo não vai mudar em nada. Mas não é sobre mim, e não é sobre esse indivíduo.
É sobre as minhas filhas, é sobre tantas outras filhas, tantos outros filhos. Hoje, as duas são muito bem casadas, se sustentam, são felizes, são excelentes psicólogas, são pessoas maravilhosas,
de um coração que não cabe dentro delas. Então, é pra elas e tantas outras filhas e filhos que eu peço um pouquinho de consciência e um pouquinho de empatia na hora de voltar às
urnas ou na hora de resolverem se levantar para irem às urnas.